O técnico Oswaldo Alvarez participou do terceiro dia da Semana de Evolução do Futebol, na sede da CBF no Rio de Janeiro e comentou sobre as dificuldades de se desenvolver o futebol feminino no país.  O evento, que tem como anfitrião o diretor de marketing da CBF, Gilberto Ratto, busca, através do compartilhamento de conhecimentos e de debates de projetos, encontrar soluções para a contínua melhoria do futebol brasileiro.

Na manhã desta quarta-feira, o tema foi futebol feminino. Durante o evento, Vadão citou a falta de interesse por parte do governo,  do setor privado e dos clubes pela modalidade e como isso impacta nos resultados obtidos pela Seleção Brasileira em grandes competições. “A seleção é o último degrau para o atleta. No Brasil não se joga futebol feminino, não há um plano de governo que incentive a prática da modalidade. As empresas não têm interesse em investir, patrocinar e isso acaba dificultando o investimento por parte dos clubes. E claro que isso reflete no desempenho das seleções e no trabalho de reposição das atletas”.

O treinador falou ainda sobre o processo de convocação da seleção sub-15 e comparou com o desenvolvimento das atletas na França. “Para se ter uma ideia do problema que enfrentamos no Brasil, quando precisamos convocar a seleção sub-15, fazemos seletivas, o que nada mais é que um nome bonito para as famosas peneiras. Nós não temos clubes que trabalham com categoria de base no futebol feminino. Por outro lado, na França, só nas categorias sub-06 e sub-08, ele têm mais de 100 mil meninas jogando bola que, ao chegarem na seleção com 16, 17 anos, já estão prontas, preparadas psicológica e fisicamente. E as nossas atletas vão para as competições internacionais sem formação, sem preparo físico adequado e sem experiência alguma em competição”.

A palestra que antecedeu o debate foi feita pelo técnico da seleção feminina de vôlei, José Roberto Guimarães que deu uma verdadeira aula sobre as peculiaridades do trabalho de performance esportiva com mulheres.

 

(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)